Lucélio Garcia


16 de Agosto


Cérebro, memória e educação

Método da cabeça humana - Salvador Dalí

  

            

           Já repararam que tudo se esquece neste país? Esquecemos datas de aniversário de pessoas queridas, de esposa, marido, filhos e  de fatos históricos da humanidade.

            Não sabemos se as pessoas já nascem sem memória ou se sofrem algum tipo de lavagem cerebral na infância ou, se papai e mamãe é que são os verdadeiros culpados por essa anomalia.

            Na escola, lá bem no começo de tudo, somos obrigados a lembrar de datas importantes para os padrões da sociedade. Querem ver? Alguém sabe quando D. Pedro I chegou ao Brasil? Em que ano se deu a revolução francesa? Quando foi que o homem pisou na lua? Alguém se lembra em que data a segunda guerra mundial terminou?

            Sim, todas essas datas e outras tantas que fazem parte do universo da infância de meninos e meninas, tão ávidos de curiosidade, nem tanto pelas datas, mas pelo fascínio do acontecimento, acabam sendo banalizadas.

            Somos e creio que seremos eternamente um povo sem memória. Não cultivamos laços afetivos com fatos ou acontecimentos do passado, pois achamos que isso é coisa de velho. Preferimos ridicularizar aqueles que vão às igrejas e a cemitérios rezar ou pedir pelos que já foram e achamos graça de tudo isso.

            Para se ter uma idéia da gravidade do tema, outro dia uma onda gigantesca, a tal tsunami, arrasou as costas de mais de dez países asiáticos no final do ano passado, matando mais de 300.000 mil pessoas. Alguém se lembra disso?

            E aquele avião que caiu em São Paulo, perto do Aeroporto matando todos os passageiros queimados? Alguém se lembra disso?

            E o Papa João Paulo II, quando veio ao Brasil pela primeira vez? Alguém se lembra disso?

            E por falar nisso, quando foi que o Ayrton Senna morreu mesmo?! Alguém se lembra disso?

            Sabemos que existem notícias alegres e outras tristes, mas aqui para nós, deste lado do mundo, isso não importa muito....

            Se formos perguntar ao cidadão que está no botequim bebendo a sagrada cachaça, com certeza ele saberá escalar o time do seu coração de 1958, inclusive dando o placar da final do campeonato.

            Se avançarmos um pouco mais e ouvirmos a conversa entre duas senhoras de meia idade da periferia de qualquer cidade grande, saberemos tudo a respeito da novela das oito.

            Ou estamos todos nós errados, ou os fatos é que não deveriam ter acontecido, afinal, para quê ficarmos lembrando essas coisas sem importância?

            Melhor mesmo é saber o final da novela, das brigas do vizinho ou de alguém que teve a luz cortada por falta de pagamento, isso sim, deve ser muito importante....

Escrito por Lucélio Garcia às 21h07
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