Lucélio Garcia


01 de Junho


Preto e Branco

 

                                        Preto e Branco  

 

De madrugada percebi o tom da música,

Que tocava sem parar.

Aquela gente que entrava e saia,

Num lugar escuro e cheio de fumaça,

Pessoas dançando sem pudor,

Vozes cortadas por juras de amor,

Quanta lassidão, tanto amor sem pudor.

Dados jogados sobre a mesa,

Uma voz rouca cantando no fundo do salão.

Beijos perdidos e jogados ao chão,

Casacos pretos em demasia,

Davam ao lugar um tom de nostalgia.

Olhares perdidos e encantados,

Roupas brancas em desalinho,

Rostos pintados, olhos pedindo atenção,

Lábios sujando o colarinho.

E a música que não parava de tocar,

Luzes brancas enfeitando o lugar,

Becos sem saída,

Todos se dirigiam ao lugar,

Como num passe de mágica.

E a chuva que caía, enfeitava ainda mais o entorno perfumado.

Jamais esquecerei aquele som de magia,

Êxtase e fantasia.

Como é bom flutuar...

Por favor, não me deixem sair,

Vou guardar este lugar no meu coração,

Quero morrer de ilusão...

Escrito por Lucélio Garcia às 08h08
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