
Preto e Branco
De madrugada percebi o tom da música,
Que tocava sem parar.
Aquela gente que entrava e saia,
Num lugar escuro e cheio de fumaça,
Pessoas dançando sem pudor,
Vozes cortadas por juras de amor,
Quanta lassidão, tanto amor sem pudor.
Dados jogados sobre a mesa,
Uma voz rouca cantando no fundo do salão.
Beijos perdidos e jogados ao chão,
Casacos pretos em demasia,
Davam ao lugar um tom de nostalgia.
Olhares perdidos e encantados,
Roupas brancas em desalinho,
Rostos pintados, olhos pedindo atenção,
Lábios sujando o colarinho.
E a música que não parava de tocar,
Luzes brancas enfeitando o lugar,
Becos sem saída,
Todos se dirigiam ao lugar,
Como num passe de mágica.
E a chuva que caía, enfeitava ainda mais o entorno perfumado.
Jamais esquecerei aquele som de magia,
Êxtase e fantasia.
Como é bom flutuar...
Por favor, não me deixem sair,
Vou guardar este lugar no meu coração,
Quero morrer de ilusão...




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