Lucélio Garcia


11 de Maio


Manequim

 

 

Quando todos chegam já estou aqui parada,

E quando saem, fico no mesmo lugar,

Esperando um olhar de bondade prá não chorar.

Mas não posso chorar, não tenho lágrimas,

Tampouco sei sorrir, ai de mim...

Um coração no peito queria ter,

Prá me emocionar quando a luz se apagar.

Não tenho como fugir, nem posso me mover.

No silêncio da madrugada,

Meu olhar é distante, não tenho semblante,

A estação muda e logo sou vestida de novo.

Com roupa curta ou manga longa,

Que alegria me vem nessa hora,

Quando me pegam e jogam meus braços pro alto,

Fico feliz esperando que meu corpo enfim, tome forma.

Mas que nada, é tudo tão rápido e nem consigo virar o pescoço,

Que pena, tinha tanta coisa prá dizer...

Olhos me devorando, risos saídos de bocas perfeitas,

Pessoas me pegando, me comparando com suas silhuetas,

E eu aqui parada, mas sabendo de tudo,

Saboreando os abraços e beijos dados,

Adultos contando o dinheiro trocado,

Crianças brincando ao redor numa correria sem fim,

Que pena, tinha tanta coisa prá dizer...

Tanta alegria nesse espaço pequeno, enfim,

Tampouco sei sorrir, ai de mim.......

Escrito por Lucélio Garcia às 09h55
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