Lucélio Garcia


02 de Janeiro


As velhas do amor de ontem

            - Olha doutô, meu nome é Severino Silva e prá falar a verdade, estou muito envergonhado com essa historia toda.
            - Mas por que senhor? Conte a verdade dos fatos. Quero que me conte tudo.
            - Tá bom doutô, vou falar.
            - O doutô tá vendo que sou um véio de setenta e poucos anos. Sou do nordeste e trabaiei na lavoura e com cana de açúcar por muitos anos. Por isso eu tenho esses braços fortes. Minha pele morena já tá mais que curtida de tanto sol que tomei no lombo. Meu olhar é firme porque lá no nordeste quase não tinha água prá beber e por isso nós tinha que beber água só uma vez por dia. Por isso sou forte até hoje. Já montei em lombo de burro, jumento, vaca e até de boi e por causa disso tenho as pernas tortas. Meus dentes são firmes como rocha no sol do meio-dia. Cansei de baixar a moral do boi só mordendo as orelhas do bicho.
            - Seu Severino, me fale logo o que houve!
            - Tá bom doutô. Depois que larguei o nordeste e vim pro sul, comecei a trabaiá, como carregador, e depois de muicho tempo consegui um lugar num posto de gasolina e tô lá até hoje fazendo bico, porque véio como eu, não adianta ficar em casa vendo a vida passar.

 

            - Continue seu Severino, estou anotando tudo.
            - Eu sempre arreparava que vinha sempre no posto um carro todo preto e duas véia dentro dele. Parecia que tinham muicho dinheiro. Tavam sempre bem vestidas. Aquilo me deixava sempre encalifado porque elas iam sempre lá e me olhavam bastante. O doutô sabe como é, sou véio mas tenho a carcaça forte e eu pensava que as véia tinha algum trabaio melhor prá me arrumar. Teve um dia que elas foram lá no posto e me deram um cartão com um endereço. Cheguei a preguntá o que era aquilo e elas disseram:
            - O senhor pode me procurar neste endereço amanhã na parte da tarde. É uma boa oportunidade que estou oferecendo e o senhor vai gostar.
            - Doutô, o véio aqui achou que tava todo cagado. Já tava fazendo as contas de quanto ia ganhar por semana. As véia tinha dinheiro.
            - Mas como tudo começou seu Severino?
            - Aí doutô, no dia seguinte eu fui na casa das véia. É um casarão danado de grande, com piscina, jardim, uma cachoeira bonita e uma churrasqueira que só ela é maior que a minha moradia. Quando entrei na casa, as duas véia tavam bem vestida e me fizeram um agrado.

 Me deram uma bebida e disseram que todo mundo que entrava lá elas tratavam daquele jeito. Eu notei que a sala da casa é muicho grande. Só tava um pouco escura. Tinha também muita cortina, um tapetão danado de grande. Acho que a sala das véia dava prá morá prá mais de dez pessoas juntas. Logo depois que tomei a bebida me deu uma tonteira braba e deitei no sofá. Tava com a cabeça zonza e vi que em vez das duas véias, tinha prá mais de cinco véia do meu lado. A véia que eu conheço, a do carro preto é chamada de Dona Zelia pelas outras e a sua amiga de Maria Solteira. Elas preguntaram se eu tava bem e disse que só tava um pouco zonzo e com o rosto fumegando. A dona Zélia que também é uma véia como eu, encostou a cara na minha e falou:
            - Seu Severino, hoje vai ter festa aqui e o senhor é nosso convidado principal.
            - Logo depois que ela falou aquilo, a véia tirou a roupa e veio passando a mão em mim. Aí percebi logo o que queriam. Elas tavam querendo safadeza da grossa comigo. Disseram que tinham me dado o tal de diamante azul.
            - O que houve depois seu Severino?
            - Ah, comecei a ficar com uma secura na boca, um vermelhão na cara e meu pinto subiu que nem pipa em dia de ventania lá no nordeste. A outra véia levantou o vestido e começou a tirar minha calça. Eu confesso que fiquei todo 
alvoroçado. Essa véia que mexeu em mim parece um cão chupando manga e tem os cabelos pintados de azul. A dona Zélia tava com a boca toda pintada e as orelhas cheia de brinco. Depois que eu tava peladinho, ela pegou no meu saco e perguntou assim:
            - Você quer ser meu hoje?
            - Respondi que não sabia e pedi prá ela tirá a mão do meu saco. Tava doendo muicho. Uma outra véia que tava lá, apareceu com um chicote na mão e disse que queria me dar uma chicotada no lombo. Eu falei prá ela que cabra do nordeste nunca tinha apanhado de muié" e não deixei ela bater em mim. A dona Zélia falou que ela estava brincando comigo e tudo aquilo era um tal de fetiche doutô. Não sei o que é isso. O doutô sabe?
            - Sim seu Severino. Fetiche é algo que imaginamos, uma espécie de fantasia erótica que passa por nossa cabeça.
            - Uma outra véia bem magrinha que tava só de calcinha, deitou na minha frente, mas com a bunda pro alto. Tadinha, ela é canhão e ainda por cima, com uma bunda toda enrugada e cheia de pelanca. Eu vi que quando ela tava de quatro, tinha uma coisa balançando lá na frente. Chegava até a encostá no chão de tão grande. Era os peito dela doutô. A mais quieta de todas não tirava a mão do meu pinto, mas meu saco doía muicho. Também notei que uma delas trouxe um aparelho 
de barbear e um pincel prá fazer a barba, mas não entendi nada porque eu sou véio mas tô sempre de barba pronta. Ela falou prá mim:
            - Calma seu Severino. Vou raspar seu pinto. As meninas querem te chupar, mas só se seu pinto estiver bem limpinho, sem nenhum cabelo.
            - Doutô, eu fiquei morrendo de medo e achei que elas mangavam de mim. quando ela pegou no meu pinto e começou a puxar as peles do saco, uma delas falou rindo prá outra:
            - Nossa, isso já foi um pênis? Com tantas peles e veias em volta, parece que vai estourar a qualquer momento. Parece com aquele cachorro chinês cheio de pele em volta.
            - Fiquei mais chateado quando a Maria Solteira disse que eu parecia com o Papai Noel.
            - Vejam só meninas, o pau do velho está cheio de cabelos brancos, que bonitinho....
            - A mais assanhada delas, pegou um pote com creme cheiroso, passou na xoxota e montou em cima de mim. Depois de se mexer um pouco, falou gritando:
            - Ai meu Deus, me tirem daqui. Esse velho está acabando comigo!
            - As outras véia tiraram ela de cima de mim e quando ela abriu as pernas pra se levantar, a tampa do pote com o tal creme cheiroso, saiu de dentro da xoxota da veia e caiu no chão.

            - E o que o senhor fez depois seu Severino?
            - Olha doutô, eu tava sentado e me puseram de pé. Uma delas falou assim:
            - Ponham esse velho em pé, vou dar uma lição de moral nele agora!
            - Me puseram de pé e a mais safada delas se arriou dizendo que aquilo era tudo o que ela queria.
            - Agora seu velho, suas pernas vão tremer. Quero esse pinto nas minhas entranhas.
            - Depois que ela se arriou de joelhos, começou a tossir sem parar, até que deu um espirro muito forte, deixando meu pinto cheio de catarro. Acho que ela tinha pegado um resfriado doutô, tava muito frio lá e o ar condicionado estava ligado. Pior foi para levantar. Ela não conseguia mais desdobrar as pernas. Mas eu fiquei aperreado mesmo foi quando uma delas colocou um cinturão amarrado na cintura e ligou um aparelho que tinha um barulho estranho e mandou eu abrir as pernas.
            - Mas o que era aquilo seu Severino?
            - Ah doutô, era um bilao de borracha e ela queria enfiar aquilo no meu ânus. Eu disse que se fizessem aquilo com um cabra macho como eu e na minha idade, ia sentar o braço em todas e aí elas se aquietaram

            - Mas por que o senhor não se levantou e não foi embora seu Severino?
            - E eu podia doutô? Estava tonto com a bebida e elas não me largavam. Só notei que de repente a luz se apagou e a mais nova, que disseram ter sessenta e cinco anos, começou a me arrudiar várias vezes, até que caiu no chão toda espichada. A dona Zélia se levantou e falou bem alto prá todas.
            - Esse homem é meu. Quero esse velho em cima de mim e morrer de prazer em suas mãos.
            - Por sorte a outra se intrometeu na frente e falou que eu não dava mais prazer a ninguém, por que era um velho inútil. Tanto as véia falavam e me alisavam que meu pirú novamente cresceu, mas é verdade também que eu tava com vontade de ir ao banheiro fazer xixi doutô. Por fim, a mesma que sentou em cima de mim, abriu as pernas novamente e sentou em cima de mim e começou a se mexer novamente, até que deu um suspiro e falou:
            - Nossa, estou toda encharcada. Gozei tanto que parece que emagreci três quilos com esse lindo objeto de prazer!
            - Fale mais seu Severino. Estou anotando tudo.
            - Antes dela se levantar, a véia começou a se queixar novamente de dor e Maria Solteira que 
estava bem do lado, soltou um grito de pavor.
            - Vejam só isso, esse velho devasso sangrou a Irene. Coitada dela, o chão está cheio de sangue.
            - O senhor não tem vergonha na cara, seu velho tarado? Veja como ficou a Irene! Ela está toda ensangüentada.
            - Eu falei prá ela que não tinha feito nada, e que meu bilao entortou quando ela sentou em cima. A véia não parava de sangrar e foi ai que uma delas resolveu ligar prá polícia prá me prender. Só depois é que me falaram que a véia tarada, tinha uma verruga grande do lado da xinim e que de tanto ficar se mexendo, a verruga estourou e ela achou que tava delirando de prazer.
            - Seu Severino, eu não vou prendê-lo, O senhor foi seduzido por cinco velhas e não teve culpa alguma, mas sabe por que a Dona Zélia deu em cima do senhor?
            - Ih doutô, agora o senhor me pegou. Por que foi?
            - Ela disse aqui que sempre quando ia botar gasolina no carro, via um grande volume nas suas partes de baixo, e imaginou que o senhor era bem dotado.
            - Foi isso mesmo?
            - Então doutô diga prá ela que sempre trabaiei com uma chave de rodas na cintura. A bomba de gasolina do posto tá descalibrada e o chefe sempre me pediu para nunca deixar de 
andar com ela grudada no meu corpo. Mas olha doutô, agora eu só quero tomar novamente o tal do diamante azul. Pode não fazer nada, mas que dá uma vontade de lascar, isso dá...

 

Escrito por Lucélio Garcia às 19h22
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